19.5.05

Ainda há coisas com explicação

Coimbra, a cidade do Sul mais a norte, tem uma espécie de abandono diferente. Fecha aos fins de semana, no Verão e sempre que lhes dá na bolha.

O Céu sobre Lisboa veio, sem saber, responder às minhas inquietações sobre as minhas origens. Não é que afinal está explicada a minha tendência para criar anti-corpos relativamente à portuguesa mania de nada funcionar 24 horas por dia?

Começo a achar que realmente só nos revoltamos contra os vidros que sacudimos dos ombros... O meu telhado, ora bem o meu telhado, acaba por ser Coimbra. É de lá que vieram os genes, nasci em Lisboa porque os meus progenitores se lembraram de rumar a Sul... Lembraram-se bem, porque nunca se esqueceram, contudo, de continuar a atravessar o Mondego.

De facto, aquela cidade não é muito normal... Quando lhe dão aqueles calores fortes até parece o Alentejo, parado..., mas depois também lhe dá um frio húmido desagradável de encher os canecos como se não houvesse amanhã...

É estranha.

O povo de Coimbra, por seu turno, convenceu-se há muito de que é o que fala melhor, porque não tem pronúncia (não tem??? Na freguesia dos meus pais tem...), de que é muito equilibrado, porque não é do Norte, nem do Sul, é do centro. O centro, como se vê, acaba por ser muito indefinido, o que, convenhamos, dá seca. Bairrismo, bairrismo... Falta mão na anca aos Conimbricenses! Eu que me mascarava de tricana na infância, nunca cheguei a ver nenhuma.E o que é feito das cachopas? Andam muito moles.

Os homens de Coimbra é que têm alguma piada. São um bocado tarados... Não pode uma mulher andar na rua, juro, mas também são tímidos e um pouco "sem jeito". São do centro, lá está.

Ser do centro toldou Coimbra à imagem de uma cidade que não é carne viva, nem é peixe de anteontem. Nem fresca, nem morta. Ajeitadinha, entre a tradição académica, e os amores de Inês de Castro, amornada pelo fado (que eu gosto), voltada para o rio, mas de costas para o país que se habituou a tê-la assim.

Nem o futebol agita as massas. A Académica é o clube mais simpático de Portugal, o mais politicamente correcto, só rivalizando com o Belenenses. Numa cidade assim, viver pode ser um exercício muito repousante. Tem de tudo, mas não faz grande alarido disso.

Não há mal nenhum nisso. Se calhar, enquanto estiver assim, espécie de Suíça entre as sazonais batalhas Norte/Sul, vai suspirando com altivez adormecida, sem nunca cair do mapa sentimental de Portugal. Ninguém se lembra muito dela, mas também ninguém a esquece.

Deixem-na estar sossegada. É a minha reserva mental.

4 Comments:

Blogger objectiva3 said...

Um dos melhoresssssssssssssss posts até hoje...

Parabéns,outra vez!!!

:))

8:15 da tarde  
Blogger clark59 said...

Ora aqui está a demonstração de como é possível escrever uma coisa fantástica sobre um tema de merda. Parabéns pelo post, pêsames pela cidade que a viu nascer, a pior treta que Portugal já pariu. A sério. Para ser politicamente (e totalmente) incorrecto, se por azar e abandono de Deus algum dia Portugal fosse Japão em 1945, Coimbra seria a nossa melhor Nagasaqui. Tenho dito!

1:01 da manhã  
Blogger bolaxamaria said...

Bem sr Clark, eu também não sou grande fã de Coimbra, mas não é preciso ser-se tão... como direi? Exageradamente anti-norte, ou anti-centro.
Esse tipo de afirmação irrita-me até à ponta dos cabelos. Essa mania de que os lisboetas têm de que são os melhores de Portugal, até porque isso é completamente falso. Eu sou uma gaja do centro, e deixem-me que vos diga, em relação à questão levantada pela AS, sobre os coimbrinhas acharem que são os que melhor falam e escrevem, não tenho as menores dúvidas... Vivi 18 anos na Figueira da Foz, onde tenho orgulho de ter nascido, e fiquei chocada quando vim para Lisboa e reparei como se fala e se escreve muito mal por aqui...
Desculpem o bairrismo, mas não suporto que atirem a baixo o que realmente tem valor!

11:17 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Clark59, para ser policitamente incorrecto, e usando a tónica da tua verborreia, deviam espetar-te garfos nos olhos e rodar.

11:56 da manhã  

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