22.12.04

Levemente

Desconfio sempre daquelas pessoas que nunca riem. As pessoas muito sérias, que encaram tudo com muita gravidade, como se carregassem o peso do mundo, têm o dom de me irritar. À sua maioria até reconheço o bom carácter e a boa formação, mas estes acabam por ficar submersos em camadas e camadas de preocupação que destilam por todos os poros, transmitindo energias negativas. Eu fujo delas. Não me canso de admirar a leveza que outras põem em tudo o que fazem na vida, na sua relação com os filhos, com os cônjuges, com o trabalho, com os amigos. Sem toma lá dá cá, cobranças indevidas, dramas e escalas de afectos. Gostava de passar por esta vida ao de leve, em tudo: no choro, na alegria, no amor, na saúde e na doença. Por isso aproveito tudo o que me ajuda a levitar, e quando digo tudo podem ser coisas tão simples como uma troca de palermices no 'msn', a meio caminho entre uma seca aqui do trabalho e a ida às finanças, uma gargalhada, uma tarefa cumprida com gosto no gabinete,um bom filme no sofá... Leveza implica encontrarmos apeadeiros onde possamos decarregar todos os nossos fardos que não podemos simplemente ignorar. A irresponsabilidade é uma coisa, a leveza é outra completamente diferente. Não pagar a renda da casa porque gastámos o dinheiro em 'griffes' é uma coisa, não pagar a renda da casa porque tivemos um imprevisto(credível) e ainda assim desprender risos intercalados com a contenção de despesas, é outra completamente diferente.

PS - Para que não restem dúvidas, este post é semi-autobigráfico. Eu paguei a renda da casa.

2 Comments:

Blogger Roxanne said...

relativizar minha cara...relativizar...um beijo grande e pesado...

9:08 da tarde  
Blogger clark59 said...

Há uma música antiga, não sei se a AS conhece, reza assim: 'Você tem o destino da lua / a todos encanta / não é de ninguém'

12:27 da manhã  

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