9.3.05

Dia da Mulher, ainda...

O meu post sobre o Dia da Mulher, embora apreciado, peca (ouvi dizer...) por generalização. Concordo. Há ainda muitos sítios no planeta onde a palavra mulher equivale a lixo, escrava, “moira de trabalho”, puta não assalariada de serviço, etc. É precisamente por respeito a essas mulheres, enclausuradas em sistemas sociais e políticos bárbaros, que me enerva este Dia da Mulher vivido aqui no velho continente e nos países, alegadamente, do primeiro mundo, com a soberba e a estúpida comiseração pela condição feminina.

Ainda ontem li que um estudo do Instituto de Ciências Sociais, sobre a conjugalidade, revela que mais de 80% das mulheres portuguesas não divide as tarefas domésticas, sendo que uma em cada cinco considera indesejável a igualdade em matéria profissional. Os investigadores concluíram que apesar de se assistir a uma modernização, ainda há "uma proporção considerável de mulheres" que assume posições conservadoras.

Que me dizem disto?

Noutros países este estudo nem sequer teria cabimento... De certeza que no Iraque ou na Arábia nenhuma mulher respondeu a um inquérito sobre a vida conjugal.

Repito: Ajustem-se contas com a nossa raça. Os homens apenas assistem impávidos e serenos do sofá, e outra coisa não têm as fêmeas que lhes passam constantemente a mão maternal pelo pêlo, o direito de exigir. Cada mulher tem o que merece.

Estou a ser radical? Estou. Mas não consigo respeitar quem se queixa do que permitiu e continua a permitir.

Eu por mim, que não alinho em hipocrisias, sempre que posso crio oportunidades para mudar a mentalidade das mulheres à minha beira. Defendo que esse trabalho deve começar "em casa", com as vizinhas, amigas, familiares, conhecidas, ou com quem quer que se cruze no nosso caminho. Antes de lançar leis bacocas de cotas e maternidades, ou ir debitar discursos na praça pública, vale a pena olhar para o lado ou, se calhar, para si.

Era isto, até ver, que me faltava dizer.

2 Comments:

Blogger antonio said...

Pois!
Afinal faltava dizer o que penso que é mais importante.

Um Xi-Coração do
Zé do Telhado

2:54 da tarde  
Blogger PP said...

Caríssima, o meu aplauso e a minha concordância total. Responsabilizo também as próprias mulheres pela chamada "desigualdade" que, na realidade, não existe. Não há desigualdade entre seres humanos. Há diferenças, porque, simplesmente, não podemos ser todos iguais! Só isso! Não vale a pena criarmos sexismos, nem moralismos e muito menos hipocrisias.
Se ao menos, a maioria das pessoas, principalmente homens, conseguisse vislumbrar o poder que uma mulher tem no seu lar, "escondida" propositadamente no seu papel de dona de casa, pobre vítima, desgraçada, sempre ocupada, mãe de filhos e senhora de carreira, melhor amante do mundo e por aí fora! Isto dá um poder às mulheres! Coitadas!!! Que responsabilidade, que sacrifício! Que dor! Que vítimas! São vítimas estas mulheres porque querem sê-lo, porque lhes dá jeito! Acham que esta é uma sociedade patriarcal??? Desenganem-se! É basicamente matriarcal e quem colocou a "desigualdade" no sítio onde ela está, foram as mulheres.
E assim como não gosto de machismos, não gosto de feminismos, porque os opostos tocam-se! O equilíbrio é o ideal. Encontrar algures um ponto central e equilibrado. A começar pelas próprias mulheres, em casa, na família, na educação que damos aos filhos e no relacionamento com os homens que encontramos.
Concordo plenamente... cada mulher tem o que merece, por outras palavras... tem o que procura para si.
A existência de um homem na nossa vida tem de ser bem ponderada. A beleza de uma mulher, ou o seu valor como ser humano não se vê pelo seu estado civil, mas sim pela forma como se relaciona consigo própria.
Sendo na mesma feminina - que é (ainda bem)uma característica da mulher - ela pode ser exigente, eficaz como profissional, pode não ser dona de casa, se não lhe apetecer (se for dona de casa, que seja porque essa é a sua vocação e não porque alguém decidiu que assim seja!), pode ser mãe ou não... sempre partindo deste princípio básico - que as mulheres façam o que lhes apetece e não o que os outros esperam delas e dos papéis que alguém decidiu criar para elas.
Merecemos ser felizes, profundamente felizes. Podemos ter filhos para criar, mas não nos cabe a função de criar adultos (homens, entenda-se!). Enquanto os homens não estiverem preparados para viver sozinhos, é melhor para eles que não vivam com uma outra mulher que não seja a mãe.
Porque as mulheres são mais autónomas que os homens e tornam-se autónomas mais cedo.
Estamos, de facto, numa sociedade matriarcal - hipocritamente parecendo que não.
Obrigada pela lucidez!

3:31 da tarde  

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