24.1.05

Cru demais

Ainda estou a digerir este filme. Até arrisco uma paragem de digestão. As gomas que comi também não devem ter ajudado, mas adoçaram a crueza do argumento. Os diálogos são bons demais para serem mentira, e as ideias quando saí da sala estavam tão confusas que ainda agora me saem como garfadas enfiadas à pressa, em pé, frente a um balcão.

Se isto servir de tempero a quem dominar a arte da cozinha, deixo aqui os ingredientes que consegui até agora identificar e que vou tentar descrever:

Dos orgulhosos não reza a história do amor e dos grandes amores.

Quem ama verdadeiramente só deixa de amar quando o outro desilude, não quando o outro trai. Nem sempre a traição desilude. Só entristece.

A nossa identidade é uma arma perigosa. Seja ela velada, descoberta, encoberta, disfarçada. Depende como se usa, e se é usada, há quem nem se aperceba dela.

Nem sempre ficam os amantes com quem se ama, mas com quem se está confortável, e isso se calhar também é amor. Ou não.

Mostra-me como és e eu amar-te-ei. Mostra-me como és e eu te deixarei. Amar é um risco.

Um grande amor vive-se sempre entre quatro paredes, mas sente-se cá fora - no olhar dos amantes.

Um nome vale tanto como uma fotografia. Ambos captam a essência do momento. Devíamos poder mudar de nome sempre que quisessemos.

A verdade é inimiga do amor.

Dos orgulhosos não reza a história do amor e dos grandes amores.

Degustei estes sabores até ao momento. Percebem agora como está o meu estômago? Vão ver.

6 Comments:

Blogger antonio said...

A "entrada" que aqui serves é bastante sugestiva. Se arranjar um bocadinho vou "provar".
Obrigado pela dica.

Um abração do
Zecatelhado

10:42 da tarde  
Blogger Lolita said...

Estava a pensar em ir jantar isso contigo! Acho que temos de marcar outro.

5:11 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Por vezes colocar um comentário no teu blog, ou noutros, é uma tarefa hercúlea! Assim sendo lá terei de me refugiar no mais fácil, ou seja, aparecer como anónima... Posto isto, lá vai o comentário:
Afinal, gostaste do filme ou não? Julgo que não te foi indiferente e espicaçaste-me a curiosidade! Gostei do tema e das deambulações gastronómicas... Já agora recebe um abracinho de CV

12:30 da tarde  
Blogger Ana said...

Bolas... :(

2:35 da tarde  
Blogger Marion said...

também escrevi sobre o filme, posteriormente descobri o seu post (fabuloso) e atrevi-me a remeter os que por acaso passem pelo meu para a leitura do seu

6:41 da tarde  
Blogger homempasmado said...

Oi,

Gostaste mesmo desta:

"Dos orgulhosos não reza a história do amor e dos grandes amores."

--

Gostei dos teus comentários ao filme.
E, para os teus clichés, cá vão os meus:


Dos orgulhosos não reza a história do amor e dos grandes amores.
Mas, e dos tolos? Lembra-te do R. e da J.

--

Quem ama verdadeiramente só deixa de amar quando o outro desilude, não quando o outro trai. Nem sempre a traição desilude. Só entristece.
Interessante, mas não entendo muito bem essa de sentir qualquer coisa “verdadeiramente”.

--

A nossa identidade é uma arma perigosa. Seja ela velada, descoberta, encoberta, disfarçada. Depende como se usa, e se é usada, há quem nem se aperceba dela.
O Homem só é verdadeiro quando se julga incógnito. Se tem de representar a sua pessoa, a arte absorve-o e desvia-o do seu próprio ser.
- Teixeira de Pascoais

--

Nem sempre ficam os amantes com quem se ama, mas com quem se está confortável, e isso se calhar também é amor. Ou não.
Uma ilusão de amor cura-se com outra do mesmo género.
- Francis Bacon

--

Mostra-me como és e eu amar-te-ei. Mostra-me como és e eu te deixarei. Amar é um risco.
Ama-me como sou, ou pira-te.

--

Um grande amor vive-se sempre entre quatro paredes, mas sente-se cá fora - no olhar dos amantes.
O amor, independentemente do tamanho, vive-se em todo o lado, quando calha…

--

Um nome vale tanto como uma fotografia. Ambos captam a essência do momento. Devíamos poder mudar de nome sempre que quiséssemos.
O momento tem a essência das nossas limitações.
Nomes, fotos...
...memórias...

--

A verdade é inimiga do amor.
A verdade é inimiga dos fracos.

--

Degustei estes sabores até ao momento. Percebem agora como está o meu estômago? Vão ver.
Não sei se ainda está no cinema, mas nem que seja em dvd.
Espero que não tenhas estômago fraco…

Tchau e obrigado pelo post.

P.S. – Já agora, encontrei-o através do blogue da Marion.

10:40 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home