22.2.05

Ela não sabia, mas estava a ser observada - Cap. I

A partida

A Júlia passou-se. Às seis e meia da manhã, pegou nas malas vazias e apanhou o Alfa para o Porto. Ainda durante a viagem, não sabia o que ia fazer quando chegasse à "invicta", já estava farta de lá ir. Desde miúda que o carro dos pais só conhecia o caminho para a Foz. À chegada foi direita ao aeroporto e disse, tu cá tu lá com a sua mente fílmica, no momento em que atravassava o átrio cheio daquela gente híbrida exclusiva de um aeroporto, que ia apanhar o primeiro avião cujo destino não ultrapassasse os 200 euros. A senhora de farda 'démodé', com chumaços e golinha à catálogo anos 80/versão bancária, informou que dentro de uma hora e um quarto partia um para Lisboa. Raios, ela tinha-se comprometido a no primeiro vôo que encontrasse pela frente embarcar... Mas Lisboa parecia-lhe, no mínimo, ridículo.

Júlia acreditava no destino, mas não era bem aquele o filme que tinha feito; A cena seguinte tinha-a idealizado em Barcelona, Londres, Roma... Fora de Portugal. Ponto. Enfim, agora era um filme de meios modestos.

De repente estava a caminho de Lisboa. Que porcaria. A última vez na capital despediu-se com o bater da porta, em grande estilo (!), ao estágio de final de curso, naquele sítio gerido por mentes made in Opus Dei. Que horror, ia voltar àquela cidade onde se comia mal, vestia mal, e só se olhava para o chão.

Enquanto tamborilava os dedos em cima do joelho, só pensava se os lisboetas teriam já aberto umas lojas como deve ser para comprar roupa. Nas duas malas vazias havia espaço para uma colecção inteirinha...

1 Comments:

Blogger Marion said...

a júlia vai ter uma grande alegria/surpresa quando for às compras na av. da liberdade :-)
ps: tem cartão de crédito???

9:52 da manhã  

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