5.7.04

A Pátria cura

Numa das minhas peregrinações pelas travessas e avenidas espirituais, que costumo percorrer de tempos a tempos, aprendi que Portugal era um país de cura. O fenómeno Fátima, com o qual eu, enquanto católica, tenho uma relação ambígua e muito mal resolvida, seria o pilar dessa missão espiritual de Portugal no mundo e, sobretudo, na Europa. Não consigo estruturar esta ideia, vaga e inconsistente na minha cabeça, mas começo a acreditar que os portugueses têm esse poder entranhado - a Cura. Prometi a mim mesma nunca alinhar na fatídica trilogia nacional - Futebol, Fátima e Fado, mas nos últimos dias concebo que nascemos para sofrer, rezar e abençoar o destino, qualquer que ele seja. Agarrámo-nos à bandeira, ao hino, à fé, e quando o destino se entregou às mãos dos deuses do Olimpo "não passámos a bola" e seguimos em frente enxugando as lágrimas no verde rubro e nas vitórias que conseguimos somar dentro e fora das quatro linhas. Ontem senti-me verdadeiramente emocionada com as buzinadelas que ouvi na rua e com as imagens de tristeza, mas de grande dignidade, dos portugueses que ainda fizeram a festa, e fiquei com esperança na nossa capacidade de sarar as feridas abertas que vêm alastrando na alma do país. Agora quero muitas mais bandeiras, muitos mais cordões humanos e muitos mais gritos de guerra, por cada vitória alcançada, mas também por cada injustiça que teime em levantar-se em Portugal. Quero mais. Quero muito mais.

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Adoro a tua "consistência e linearidade racional"!
Para quem leu "A cidade do desassossego"(jun.), ou mesmo o recente "Patriotismo"; percebe bem o que tentas intelectualizar (ou quem sabe, evangelizar), perante a edição de "A pátria cura"...
Além de incongruente, despertas um vazio intelectual próprio de alguém ausente de ideias e ideais.

2:56 da tarde  
Blogger AS said...

A linearidade do espírito e da mente é tão cobarde como o anonimato dos que não tem coragem de viver e deixar viver.

4:11 da tarde  
Blogger Roxanne said...

deixo-vos o que penso, fazendo minhas as palavras de um gênio da música brasileira, Raul Seixas:
"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor,
Sobre o que eu nem sei quem sou,
Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um actor
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

5:16 da tarde  
Blogger AS said...

Minha querida Roxanne... Só tu para encontrares sempre a banda sonora apropriada... Beijinho.

7:43 da tarde  
Blogger bloguista2 said...

O direito à liberdade de expressão é um direito adquirido com a constituição do regime democrático. E já lá vão três décadas! Por isso mesmo quem consulta e comenta nos blogs deve fazê-lo com base nesse pressuposto.
O autor do comentário anónimo de 06 de Julho de 2004 embora tardiamente talvez precise de apreender... Aliás, só não percebe o valor da liberdade de opinião quem não é livre...
A liberdade de quem comenta no blog acaba na liberdade de quem faz o blog!
Fica o alerta a esse “anónimo”: este tipo de comentário é ignorado por todos aqueles que não alimentam rancores e respeitam a diferença de opiniões, pelo que fazer comentários para o seu próprio “umbigo” parece-me pura perda de tempo...

7:49 da tarde  
Blogger AS said...

Querida Bloguista 2, não há nada como uma boa polémica para "erguer bandeiras" e exaltar a solidariedade entre os espíritos livres e, assumamos (!), amigos. Beijinho.

8:01 da tarde  

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